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“Os millennials desejam ser amigos de seus pais.”
A frase acima, dita por Dr. Jeremy Schulz, pesquisador da Cambridge Institute for Family Enterprise, chamou a minha atenção por tudo o que significa e representa. Como membro de uma empresa familiar, costumo testemunhar e vivenciar diariamente o relacionamento e as diferenças entre as gerações, com todos os seus pontos ora positivos, ora difíceis.
Em palestra realizada na Universidade de Berkeley, o pesquisador conta que os millennials desejam ser pares da geração anterior. Isso significa mais do que respeito, boa convivência e até uma relação de companheirismo com os pais: eles querem ser considerados e tratados como iguais. Trata-se de um ponto controverso, considerando as diferenças entre a geração atual e a anterior, bem como a forma como esta última se relacionava com os seus antecessores.
Propósito, educação e diálogo
A geração dos millennials é uma das mais estudadas de todos os tempos. Sabemos que eles valorizam a autonomia, querem direcionar as próprias carreiras e estão voltados para a realização de seus sonhos. São os primeiros a crescer completamente cercados por tecnologia – internet, celular e mídias sociais fazem parte de suas vidas desde sempre. Talvez por isso sejam, do ponto de vista das gerações anteriores, mais imediatistas. Por outro lado, eles são os que mais prezam por negócios, produtos e atitudes com propósito.
Na minha opinião, esse pode ser um ponto de contato interessante entre as diferentes gerações e uma oportunidade para a construção da Governança em uma empresa familiar: ter um propósito claro e definido significa conhecer o próprio impacto socioambiental, deixar um footprint positivo e fazer com que os valores da família permeiem o negócio.
A Governança pressupõe o envolvimento de todas as gerações, cada qual tendo a chance de mostrar o seu ponto de vista, colocar o seu conhecimento e experiência à disposição dos negócios e inovar – sempre, é importante destacar, com papéis e atuações claramente definidos. Além disso, a Governança contribui de maneira significativa para a educação e preparação da próxima geração, fator determinante de sucesso e sustentabilidade do empreendimento familiar.
E como desenvolver talentos na era dos millennials? Como fazer com que eles se interessem em fazer parte do negócio da família preservando o que foi construído com tanto esforço por seus pais, avós e até bisavós? Vamos além: como dar chances para que contribuam para os negócios e, possivelmente, os levem a outros patamares?
Esses questionamentos foram abordados em um artigo recentemente publicado por Eduardo Gentil e Bruna Tokunaga Dias na Harvard Business Review Brasil. Para os estudiosos, “o desafio está no desenvolvimento das competências e habilidades comportamentais e socioemocionais” dos membros da nova geração, já que “a educação formal, apesar de muito importante, não é mais o diferencial”.
Tendo esse cenário em mente e considerando as características dos millennials, o artigo ressalta que é importante estimulá-los a: buscar o autoconhecimento e a reflexão; entender a identidade da família e o sentido de sua trajetória; refletir sobre passado, presente e futuro; identificar seus sonhos e objetivos e elaborar um plano para realizá-los; e criar oportunidades para que possam empreender e testar ideias. Também é imprescindível estabelecer fóruns de diálogos estruturados e regulares entre as gerações.
Logo, além de identificar os desafios e necessidades atuais e futuras do empreendimento familiar, é importante mapear o perfil de interesses, vocações e potenciais da próxima geração por meio de um planejamento estruturado, de modo a incentivar os familiares mais jovens a fazerem escolhas melhores e a compreenderem como podem colaborar para o negócio. O próximo passo, conforme indicam Eduardo e Bruna em seu artigo, é criar planos de desenvolvimento individual e de educação para cada um. As etapas seguintes incluem fazer um trabalho de team building, estabelecer uma visão de futuro e, mais uma vez, promover diálogos estruturados entre as gerações.
Cada negócio – e, portanto, cada negócio familiar – tem uma história, contexto, valores, missão e visão únicos. Portanto, não existe uma fórmula mágica para resolver conflitos entre gerações, conduzir um bom processo de sucessão e garantir a perenidade dos negócios. Aqui, entram em ação as dinâmicas das relações pessoais, do mercado e da família. Talvez valha a pena encarar os desafios que os millennials nos colocam também como oportunidades de crescimento, e criar um plano capaz de combinar as necessidades dos negócios aos desejos e motivações da próxima geração.

Gabriela Baumgart – Conselheira Certificada pelo IBGC Coordenação do Comitê empresas familiares | Embaixadora Endeavor Mentoria Exame PME

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