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A experiência que relato hoje trata de um coaching profissional e que depois, como costuma acontecer, transformou-se em um coaching de vida.
O coachee, com o nome fictício de Fabiano, logo no início do processo, falou sobre a sua trajetória profissional.
Havia trabalhado por 12 anos em uma grande empresa de TI como Diretor Operacional, desenvolvendo inúmeros softwares e produtos para outras empresas, sempre com muito sucesso. Tinha uma equipe grande e diversificada e conseguia liderar pessoas diferentes com razoável harmonia, entregando o seu trabalho com qualidade e prazo certos.
Há 2 anos atrás, decidiu fundar a sua própria empresa de TI. Diferente das demais, a sua empresa, se especializou em avaliar e diagnosticar os softwares em uso no cliente, sejam adquiridos ou criados pelo cliente, objetivando : (a) o uso de todo o potencial do software existente; (b) potencial substituição por softwares mais adequados ao cenário atual do cliente, e; (c) o desenvolvendo de novos softwares para complementar o conjunto existente nas empresas, o que resultava em grande economia de custos para os clientes e maior produtividade do trabalho . Como consequência, houve uma procura muito grande dos serviços de sua empresa e ele já estava com um time de cerca de 15 técnicos além do pessoal administrativo e prestadores de serviço de diversas naturezas. Tinha a função de Diretor Operacional, cuidando do desempenho do produto, mas agora passou a atuar também como um Diretor Comercial gerindo as vendas, como um Diretor Administrativo agregando o papel de gestor propriamente dito da empresa. No entanto, gradativamente, foi sentindo uma certa insatisfação profissional. Foi então que procurou o processo de coaching. Conforme ele relatou, “era para eu estar muito feliz com o forte crescimento de minha empresa, mas porque eu não estou?”
E assim começamos nosso processo de coaching que foi feito em 8 sessões.
Logo no início ele falou que não estava sentindo-se satisfeito com o seu papel na Empresa. Não estava se concentrando para conseguir criar produtos diferentes que viessem atender futuras demandas de seus clientes como sempre fez, sentia falta de ajudar as equipes a crescerem, não estava confortável atuando como “Diretor Comercial” e ficava confuso quando tinha que atuar como “Diretor Administrativo”, papéis necessários de serem exercidos pelo dono de uma empresa ainda pequena.
Começamos então a tentar refletir sobre que tipo de trabalho o Fabiano, esquecendo que era o dono da empresa, gostaria de fazer.
No início foi difícil! Ele só conseguia vislumbrar que gostaria de continuar a fazer crescer a empresa como sempre fez, mas vivenciava limitações que não tinha sentido antes. O que se passava?
O exercício de refletir sobre o tipo de trabalho que Fabiano queria fazer na sua Empresa, foi doloroso. Foi difícil separar os seus valores agora explicitados – criar inovação e ensinar – do que ele tinha se proposto fazer com a sua empresa, isto é fazer a empresa crescer sabendo que teria
que exercer diversos papéis na empresa. O “dever” o chamava, mas ele não tinha entusiasmo em fazer “o que deveria fazer”.
Forçamos um pouco mais a reflexão: “Qual trabalho o faria sentir a energia de sempre? Como ele se sentiria se descobrisse qual trabalho realmente queria fazer? A quem ele faria bem?
E aí , com todas as dores inerentes à uma gestação, ele começou a admitir que o que realmente queria era poder pensar em novos caminhos estratégicos para a Empresa, desbravando e criando os novos produtos que os clientes poderiam demandar, e poder formar uma equipe de elite que pudesse fazer isso com ele.
De fato, ele não somente queria criar, mas ensinar a criar.
Esse entendimento trouxe novos insights em sua visão do futuro, de sua empresa e da própria vida pessoal e profissional.
De um lado ele entendeu que seu papel dentro da empresa teria que ser outro. O de um estrategista sem ter que se preocupar com o dia a dia da empresa, e mais precisaria ter a oportunidade de ajudar no desenvolvimento das pessoas para que elas pudessem sempre evoluir e serem melhores.
Isso se estendeu também para a sua vida familiar. Ele estava separado há 12 meses de sua esposa. Tinha rompido o casamento por brigas contínuas, quase sempre pelas divergentes formas de ambos lidarem com a educação do filho, hoje com 10 anos.
Ele queria melhor conduzir a vida futura profissional do filho, preocupado com o sucesso dele, querendo que ingressasse em uma faculdade técnica que ao seu ver como pai, o filho poderia ser melhor sucedido, enquanto a esposa preferia deixar que o filho percorresse o caminho da música, área onde demonstrava ter muito talento.
A aceitação de que ele se sentia inquieto com demandas profissionais e pessoais novas o fez compreender que isso poderia também acontecer com o filho.
Foi surpreendente ver que ele, de repente, quis ligar do meio da sessão de coaching para o filho, com o intuito de dizer que ele iria ajudar na respectiva formação em música. Infelizmente, nesse instante ele não encontrou o filho, mas encontrou a ex-mulher e a conversa dos dois foi diferente desta vez. Ele disse que fora capaz de dialogar com ela como nunca tinha feito, dizendo o que agora ele estava pensando e admitindo que a mulher teve a sensibilidade de perceber a necessidade do filho. E então, concordaram que, em conjunto, eles iriam apoiá-lo nesse caminho. Creio que o filho será mais feliz assim!!!
Este foi um subproduto do coaching.
Na vida profissional, o Fabiano teve o insight de compreender-se, e aceitar que ele almejava outro papel na empresa. Gostaria de ser o estrategista da empresa e treinar as pessoas. E isto explicitou um dos seus valores mais marcantes, que seria treinar pessoas para fazê-las crescer.
Então, começou a pensar como poderia fazer essa mudança profissional sem comprometer o futuro de sua empresa tão promissora. Quais competências ele e a empresa teriam que desenvolver e quando seria o momento adequado, percorrendo os caminhos da intenção e da ação.
E, gradativamente, foi clarificando os novos caminhos. Haveria a necessidade de contratar uma pessoa ou trazer um sócio para assumir sua posição atual de CEO. Sem culpa ou sem sensação de fracasso. Isso foi libertador.
Ele sabia que essa sua decisão não somente traria uma realização pessoal, como poderia fazer a empresa crescer muito mais, e assim fez.
Na oitava sessão, ele mesmo disse que não precisa mais do coaching e muito agradeceu a descoberta de seu novo caminho profissional, e mais, a nova forma de lidar com o futuro profissional do filho.
Hoje sei que ele vendeu 45% da sociedade e o seu novo sócio é o CEO da empresa. Fabiano tornou-se Diretor de Tecnologia e de Produtos da Empresa.
Fizeram diversos acertos na forma de conduzir a empresa e até agora tem dado certo. Ambos guardam um balanceamento nas respectivas contribuições na empresa. E isso é um elemento de equilíbrio nas relações deles.
Agora é importante que ele saiba manter esse balanceamento de contribuições na empresa, procurando ter um diálogo aberto e transparente, garantia de um futuro profissional brilhante para os dois e para a Empresa.

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