Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no pinterest
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

As empresas familiares trazem em seu DNA um magnetismo próprio que as tornam especiais, mantendo em sua bagagem a certeza de que a credibilidade nas relações e o espírito de união são as bases para a rápida tomada de decisões e visão de longo prazo.

Mas apesar dessas qualidades, muitas sofrem com a passagem do tempo, principalmente quando se perdem na tentativa de perpetuação do seu legado, deixando que as vozes da emoção falem mais alto que a necessidade de profissionalização, essencial para todas as empresas, independentemente do tamanho.

Talvez por considerarem que pelo cunho familiar a empresa não necessita de regras, dado ser composta geralmente por membros familiares e de confiança, ou então por haver uma certa barreira na aceitação de consultoria e aconselhamento profissional de terceiros, fato é que muitos estudos têm retratado a dificuldade de transferir toda uma vida de esforço e dedicação dos fundadores para as próximas gerações. Segundo dados do IBGE[1], 75% das empresas brasileiras encerram suas atividades em até 14 anos.

Face a esse cenário desafiador de baixa expectativa de vida das empresas brasileiras e com a finalidade de acompanhar a evolução das empresas familiares, a KPMG fez um estudo no Brasil em 2017[2] e na Europa em 2016[3] digno de aplausos que retrata a percepção dessas famílias em relação ao futuro e seus níveis de governança. Dessa forma, será feita uma breve análise sobre alguns tópicos dessa pesquisa entre empresas familiares brasileiras e europeias para entendermos as semelhanças e diferenças entre ambas:

Com base no exposto acima, é possível constatar que as maiores preocupações das empresas familiares brasileiras para os próximos anos estão relacionadas ao ambiente externo, uma vez que seus negócios são bastante suscetíveis às incertezas políticas e econômicas. As empresas familiares europeias apesar de se preocuparem com as incertezas políticas, elas estão focadas em seu ambiente interno, retendo os melhores talentos e se profissionalizando para enfrentarem os mais diversos desafios.

Já em relação às diretrizes estratégicas para os próximos anos, as empresas brasileiras apostarão grande parte de seus investimentos no negócio atual, dando menos ênfase à inovação, às novas tecnologias e à diversificação dos negócios. Por sua vez, as empresas europeias com a preocupação latente sobre o tema “disrupção”, fenômeno que vem acirrando a concorrência em razão das transformações digitais e tecnológicas, investirão valores significativos no negócio atual, mas também apostarão seus recursos em inovações e novas tecnologias, na formação da equipe, na expansão internacional e, em uma parcela menor, na diversificação dos negócios.

No que tange à governança e a seus pilares é possível notar que as empresas brasileiras ainda estão se familiarizando com o tema e aos poucos vão notando a sua importância. Contudo, muito há que se evoluir nessa compreensão, pois certamente esta é uma ferramenta essencial para aumentar as taxas de sobrevivência das empresas brasileiras. As empresas europeias, até pelo tempo de sua experiência e existência encontram-se mais consolidadas, sabendo reconhecer que a governança é a peça chave para a longevidade de seus negócios.

[1] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

[2] https://home.kpmg.com/br/pt/home/servicos/enterprise/empresas-familiares.html

[3] https://home.kpmg.com/br/pt/home/insights/2016/10/european-family-business-barometer-2016.html

Autor:

Monique de Souza Pereira

Membro do GEEF – Grupo de Estudos de Empresas Familiares – FGV/SP e associada do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. É formada em Direito pela Universidade Cândido Mendes – UCAM/RJ, especialista em Direito Tributário pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro – UERJ/RJ, em Fiscalidad Internacional? Universidad de Castilla-La Mancha/Espanha e em Fusões e Aquisições, Reorganizações Societárias e Due Diligence e Direito Societário – FGV/SP. Sócia do escritório Souza Pereira Advogados em Curitiba.

Publicado emArtigos

Deixe um comentário