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A figura da empresa familiar se caracteriza por ser uma organização em que tanto a gestão administrativa quanto a propriedade são controladas, na sua maior parte, por uma ou mais famílias, cujos membros participam da força de trabalho, principalmente na ocupação dos cargos da diretoria.

Por aproximar quotistas e acionistas do núcleo familiar, a administração da empresa familiar envolve certas particulares. É muito comum existir dificuldade em separar as relações familiares da gestão da empresa, de tal forma que, em diversas situações, as decisões tomadas pelos gestores têm um viés mais emocional do que racional.

Não raro, diante do engajamento familiar nos negócios, os gestores de tais organizações apresentam um perfil centralizador. Na área de recursos humanos, a lealdade e a dedicação dos colaboradores são critérios fortemente levados em consideração. Estes laços afetivos influenciam comportamentos, relacionamentos e, também, decisões da organização.

Essas características peculiares e comuns em empresas familiares geram desafios aos administradores, que necessitam gerir muitos conflitos, de diversas ordens, a fim de garantir o sucesso da complexa relação entre empresa, sócios, família, propriedade e gestão.

Evidentemente, para que todas os conflitos sejam passíveis de administração e solução, a empresa familiar deve utilizar ferramentas adequadas.

Além da necessária existência de uma comunicação clara e transparente entre todos os agentes envolvidos e a utilização de instrumentos jurídicos societários, como o acordo familiar, é fundamental o desenvolvimento de um trabalho de excelência pelo profissional da contabilidade, que acompanha o funcionamento da empresa familiar, desde o nascimento do CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas), o registro do capital social e todos os atos posteriores.

O profissional da contabilidade desempenha o papel indispensável de auxiliar na elaboração do plano de negócios, de desenhar e estudar o melhor tipo societário para aquela organização e, especialmente, a melhor opção tributária para atendimento dos interesses da empresa familiar.

A boa governança familiar envolve a direção e o monitoramento das ações de gestão da empresa, abrangendo o relacionamento entre diversos agentes, a partir dos princípios da transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

Quanto aos princípios da transparência e prestação de contas, ambos concretizados com base em registros contábeis confiáveis, essas diretrizes preservam e otimizam o valor econômico da empresa a longo prazo e facilitam acesso a recursos para investimentos, sejam estes de instituições financeiras ou de investidores, contribuindo para a qualidade da gestão da organização e a longevidade do negócio familiar.

Deixando de lado a preocupação apenas com o registro de atos e fatos, a partir de um olhar retrospectivo, os profissionais da contabilidade têm competências para ocupar diferentes funções no sistema de governança familiar, ocupando espaços como, auditor independente, auditor interno, conselheiro fiscal, membro de comitês, diretoria executiva, presidência e até mesmo conselheiros de administração.

Atualmente, percebe-se que o profissional da contabilidade ainda desempenha, em sua absoluta maioria, as funções contábeis mais tradicionais, como a execução da contabilidade e da controladoria, a ocupação de cargo de diretoria (especialmente a financeira e administrativa), compliance, gerenciamento de riscos, realização de auditorias e participação nos órgãos de fiscalização.

É evidente que essas funções tradicionais são indispensáveis para o sucesso de qualquer organização, inclusive das empresas familiares. No entanto, é certo que a participação do profissional da contabilidade pode ir além.

Infelizmente, os contadores ainda representam uma pequena parcela dos membros de conselhos de administração no Brasil. A diversidade de formações contribui para decisões mais sólidas e consequentemente mais seguras, já que o conselho dá um direcionamento estratégico para os negócios.

A partir da ideia de conflito, naturalmente embutido na estrutura dessas organizações, é fundamental que o profissional da contabilidade de empresa familiar aprimore suas competências comportamentais, dando conta de interferir adequadamente no tripé propriedade, família e gestão.

Para tanto, o contador deve ter capacidade para escutar, desenvolver boa comunicação, ter relacionamento impecável com os agentes envolvidos, realizar julgamentos críticos, habilidade para desenvolver trabalhos em equipe e, ainda, para alcançar a resolução de conflitos.

Além disso, deve empregar a paixão pelo que se faz, mediante adaptabilidade a diversas situações, empatia, pragmatismo e, especialmente, coragem.

A ocupação de posições nas empresas familiares é, não só uma oportunidade aos contadores e contadoras, mas, sobretudo, um dever do profissional da contabilidade, aplicando sua expertise às necessidades concretas dessas organizações.

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