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(recorte da Tese de Doutorado: Dando voz ao Herdeiro – Renata de Fátima Fortes Bueno- 2017)

Quando falamos de empresa familiar e das consultorias direcionadas à busca do sucessor para os negócios da família, nos deparamos com a intervenção chamada: Projeto de Vida ou PDI do Herdeiro (Plano de Desenvolvimento Individual). Apesar de bem-intencionado, muitas vezes, essas intervenções não dão voz ao herdeiro, limitando-se à aplicação de testes vocacionais, leituras sobre o negócio e traçando um perfil do herdeiro para que ele monte seu próprio projeto de carreira baseado, essencialmente, em habilidades cognitivas.

Contudo, fundamentando-se em uma visão sistêmica do mundo, em que a realidade é construída pelo observador, reflexivamente, e que todas as coisas estão relacionadas, um bom projeto de vida deve, em primeiro lugar, contemplar a história desse herdeiro, sua rede de relações sociais e familiares, com as quais a vocação profissional está relacionada (VASCONCELOS, 2002; ANDERSON, 2009; SULZER, 2008; GERGEN; GERGEN, 2010).

Bowen (1991) ampliou seu olhar sistêmico e, a partir da observação e estudo de sua própria família, desenvolveu a teoria da diferenciação, na qual coloca que uma pessoa, para se considerar saudável e autora da sua própria vida, tem que saber pertencer e, ao mesmo tempo, se diferenciar da sua família.

Esse processo de diferenciação é considerado fundamental para a formação da identidade do indivíduo e, quanto mais saudável for a família, melhor será para ele.

A construção da identidade pessoal pressupõe dois sentimentos antagônicos: pertencer e ser eu mesmo (diferenciar-se), sendo que, para que isso aconteça, é preciso uma família que se utilize do diálogo e aceite as diferenças. O pertencimento significa que somos filho de alguém, o que nos legitima socialmente, garantindo um lugar social e uma noção de ser alguém diferente em função das experiências de vida que se tem.

De acordo com Nichols e Schwartz (2007, p.137), “Todas as famílias variam ao longo de um contínuo que vai da fusão emocional à diferenciação”. Essa diferenciação é tanto maior, quanto maior for a capacidade do indivíduo em utilizar seus recursos pessoais.

Nascer em uma família empresária pressupõe, no mais das vezes, ter pais que, mesmo antes de o filho nascer, depositam uma expectativa de que ele dará continuidade e prosperidade aos negócios da família. Beldi et al. (2010, p. 161) mencionam que “superar expectativas dentro de uma família provedora, com membros de personalidade forte, implica, muitas vezes, que o herdeiro abra mão de sua individualidade e faça apenas aquilo que é esperado”.

Quando isto acontece, o processo de diferenciação fica comprometido, pois os pais, consciente ou inconscientemente, depositam e esperam que os filhos sigam seus próprios sonhos, não validando qualquer ação que difira de seus propósitos. Por conta disso, a capacidade de saber diferenciar-se ou não fica comprometida, como bem aponta Bowen (1978/1989, p. 248): “As pessoas menos diferenciadas são movidas como peões pelas tensões emocionais. Os indivíduos mais bem diferenciados são menos vulneráveis à tensão”.

Nesse sentido, a diferenciação só é possível se o ser humano conseguir equilibrar o funcionamento emocional com o intelectual, cabendo destacar o papel fundamental dos pais nesse processo.

Para Minuchin e Fishiman (1990), o principal fator para um bom desenvolvimento do ser humano em suas relações é a capacidade de diferenciação. E para que ocorra de forma correta essa diferenciação, é necessário que se tenha pais saudáveis e uma estrutura familiar organizada, pois fronteiras muito rígidas, hierarquia muito fixas, autoritarismo dificultam o processo de diferenciação. Os estudos de Minuchin contribuem com esse olhar, quando trata da formação da identidade como constituída em dois grandes pilares: pertencimento e diferenciação. Quanto mais o indivíduo for capaz de se diferenciar da família, maior capacidade de pertencimento terá. A pessoa mais indiferenciada, mais “emocionalmente orientada”, enquadra-se na categoria de pseudo-self, cuja insegurança e necessidades emocionais a forçam a trocar a individualidade por amor e aceitação.

À medida que se dá voz para o herdeiro refletir sobre seu papel na família e na vida, analisando as relações que tem com seus pais, aprendendo a se diferenciar e se distanciar do sonho do pai-mãe empreendedor, acredita-se ser um caminho que possibilite que o processo de diferenciação se instale. Uma vez com a diferenciação estabelecida com sua família, é possível fazer escolhas mais genuínas e libertadoras.

O processo de coaching, com profissional capacitado e com Know-how no atendimento de herdeiros e famílias empresárias, é um caminho que irá possibilitar este trabalho de diferenciação do herdeiro.

Publicado emArtigos

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