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Nessa breve série de artigos, trataremos sobre as seis fases de desenvolvimento da família, baseando-se no modelo estabelecido por Carter e McGoldrick (1995), visando trazer um olhar um pouco mais voltado para as consequências de um conflito familiar e como isso pode afetar a empresa, direta ou indiretamente.

Na primeira fase, o jovem adulto ao sair da casa dos pais, atravessa problemas que normalmente centram-se na falta de reconhecimento, seja dele próprio ou dos pais, da necessidade de mudar para uma forma de relacionamento menos hierárquica, baseada no fato de que agora aquele filho não é mais criança e deve ser tratado como um adulto, tal como os pais. Nesse processo emocional de transição, o jovem que saiu de casa, seja para estudar ou para buscar sua independência, precisa aceitar as responsabilidades emocionais e financeiras próprias da vida adulta. E é nessa necessidade de arcar com suas responsabilidades financeiras que muitos jovens adultos começam a empreender.

Há também as situações onde o filho que se encontra na fase de sair de casa vem de uma família que já possui seu negócio familiar e já vem com a expectativa da família sobre seu ingresso na empresa dos pais. Nesses casos, muitas vezes acontece de o filho acabar cedendo à pressão, ainda que não queira de fato estar naquele ambiente, por diversos motivos. Há os que se identificam com a proposta da empresa familiar e ingressam nela desde muito cedo, visando-a como um patrimônio que um dia será seu, e há os que não cedem à pressão, decidindo buscar sua colocação no mercado de trabalho por outros meios e em outras profissões, que nada tem em comum com o ramo familiar. Nesse caso em específico, é comum que haja uma grande comoção na família e até alguns conflitos e desentendimentos, visto que os pais tinham suas expectativas sobre os filhos. Tais conflitos, se mal administrados, podem não apenas desestruturar a empresa, mas também a família, que não se preparou com antecedência para essa possibilidade.

Algumas mudanças são necessárias ao entrar nessa nova fase da vida, tais como o desenvolvimento de novos relacionamentos com outros adultos iguais, importante para o estabelecimento da visão de si mesmo como adulto e independente. A visão dos pais como modelo – positivo ou negativo – já está implantada, portanto, os novos relacionamentos trarão ao jovem perspectivas novas, visões diferentes daquele pensamento ao qual o jovem já estava acostumado, tornando-o mais crítico.

Uma das partes difíceis dessa fase é fazer com que tanto os pais quanto os filhos entendam que esses jovens não precisam se submeter às expectativas e desejos paternos. Torná-los capazes de escolher com sabedoria e confiar em suas decisões são deveres que os pais têm, porém, a depender da relação anterior entre pais e filhos, pode ser quase impossível que os pais confiem nas escolhas dos mais novos, acarretando mais conflitos.

Referências: 

CARTER, M. M. et al. As mudanças no ciclo de vida familiar: uma estrutura para a terapia familiar. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 1995. 512p

VRIES, Mafred Kets de, et al. A Empresa Familiar no Divã – Uma Perspectiva Psicológica. 1. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009. 302p

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