Nesta época do ano a maioria das empresas está trabalhando com o planejamento para 2022. Algumas mais ousadas tentando projetar o triênio, mas todas definindo suas prioridades e indicadores financeiros e outros.

E como esse processo vem acontecendo tradicionalmente? Várias apresentações e reuniões com “especialistas” do setor e analistas políticos e econômicos, para a alta direção projetar cenários e definir as premissas que serão transmitidas às equipes para que o planejamento e orçamento sejam concluídos. Este processo é cheio de idas e vindas e se gastam semanas até que ele seja concluído. E aí é só executar o que foi planejado?!

Mas será que isso é viável nos dias de hoje? O ano de 2020 foi um verdadeiro caos para todas as empresas, algumas não conseguiram sobreviver. Quem foi capaz de prever a pandemia do COVID e suas consequências? No início se estimava que tudo se resolveria em poucos meses, talvez os pessimistas falassem em um ano, e já estamos chegando no final do segundo ano e não sabemos ainda quando essa terrível pandemia e seus efeitos malignos na vida das pessoas e das empresas irá acabar. Se isso não bastasse, ainda tivemos várias mudanças de expectativas nos cenários econômico e político do Brasil e do mundo. E as disrupções tecnológicas e o avanço das startups com agressividade e rapidez no atendimento ao cliente? Vocês podem imaginar o tempo e o desgaste para as empresas refazerem seus planejamentos para se ajustarem a esta imprevisível, brusca e radical mudança de cenário.

Esta morosidade é fruto de um modelo de planejamento estratégico ultrapassado, onde se busca “prever o futuro” e definir um planejamento muito bem detalhado e seguir o plano à risca. Mas como fazer isso dentro desta nova realidade do mundo VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo)?

Em média uma empresa do SP500 está sendo substituída a cada 15 dias. A expectativa média de vida dessas empresas era de 65 anos na década de 60 e a previsão é que será de 20 anos em 2025! Como se preparar para um mundo em constante transformação?

Os modelos tradicionais de planejamento estratégico funcionam bem para cenários de baixa imprevisibilidade. Não existe vantagem competitiva sustentável no longo prazo (ex. Kodak).

O desafio das empresas atuais, especialmente as de menor porte e familiares, é inovar nos processos atuais E, e não OU, ter um olhar para as tendências futuras, percebendo os “sinais não evidentes” (mosaico tecnológico, setores entrelaçados, ecossistemas inovadores, etc). As empresas precisam praticar a ambidestria, que é a capacidade de balancear o foco na eficiência operacional, na mesma medida que olha e se atualiza para o futuro. E para que isso aconteça o processo de planejamento tem que migrar do modelo tradicional e lento para um modelo ágil e de aprendizado contínuo, onde em vez de acreditar na perpetuidade de vantagens competitivas a empresa buscará decodificar sinais e focará na renovação, de maneira contínua, de suas licenças para operar, competir e vencer. Isso demanda coragem e determinação para a mudança de cultura e de processos.

Lembre-se, o mundo não irá parar para que sua estratégia corporativa possa funcionar!

enio@eniosilvasolucoes.com.br

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