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Já se passou quase um trimestre desde que começou a quarentena. As opiniões conflitantes continuam. O discurso político e a visão dos médicos ainda não são congruentes. Nisso tudo, fica cada vez mais forte a visão de que estamos atravessando o que a antropóloga norte-americana Margaret Mead caracterizou como uma descontinuidade histórica – teremos de construir o futuro a partir de novos paradigmas, sem recorrer a projeções feitas a partir do passado.

Desta vez, a humanidade foi atingida em algo que lhe é fundamental: a socialização. É comum a visão de que o ser humano é gregário e que precisa do encontro social para seu bem-estar psíquico e físico – lembremo-nos de que o psicólogo norte-americano Abraham Maslow colocou a socialização como uma das nossas necessidades primordiais. A parte boa é que temos hoje um arsenal de ferramentas tecnológicas que, além de não nos isolar de vez, estão mudando as noções de tempo e espaço.

No contexto da empresa familiar, nosso campo de trabalho e de observação, o que se apresenta é um desafio muito grande. A empresa familiar nacional sempre se alimentou dos almoços de domingo, das festas de aniversário, dos encontros pessoais. A última Páscoa, marcada por encontros virtuais entre membros de uma mesma família, cunhou uma mudança radical. Se seremos capazes de nos adaptar a essa nova forma de relacionamento social é algo a ser visto nos meses e anos à frente.

No mundo empresarial, a mudança vai ser mais forte e permanente. Reuniões por teleconferência são mais econômicas. Em muitos casos, também têm sido mais eficientes e eficazes – ao desligar o microfone de quem não está falando, diminuiu substancialmente a conversa paralela e dispersiva. Isso sem falar na facilidade de projetar na tela do computador de mesa, notebook, Smartphone ou o que seja, tabelas, relatórios etc. A tendência é que todos os participantes dos encontros fiquem mais focados.

Na nossa prática, temos encontrado as mais diversas situações, desde empresas que estão crescendo e melhorando em meio à pandemia da Covid-19, até organizações que estão sob tremenda ameaça à sobrevivência, amargando fluxos de caixa negativos. Para muitos, a quarentena simplesmente significou receita quase zero, e custos ainda relevantes.

Nossa vivência com empresas familiares mostra que, entre outros atributos, o sucesso passa por valores, resiliência e propósito. Valores claros, estabelecidos, entendidos e praticados por familiares e colaboradores orientam quando o ambiente força a tomada de novos rumos. A organização resiliente é capaz de enfrentar contratempos, inclusive com a capacidade de se antecipar. O propósito traz a dimensão de que sabemos o que fazemos e por que fazemos.

As famílias em que a figura do guardião do legado é bem estabelecida terão mais chances de sair na frente. Não obrigatoriamente, essa figura acumula também a posição de líder do negócio. Claro, tudo depende das competências desse guardião, que monitora o acatamento à cultura familiar e intervém de maneira ponderada nas situações de debate e confronto. Da mesma forma, a organização que já tiver uma boa governança mostrará agilidade nas tomadas de decisão. Como o momento é de definições críticas e contamos com informação incompleta e incerta, é fundamental que o processo de decisão esteja assentado nos valores da família. Fazer isso trará melhor maior aceitação, por todos os envolvidos, das duras resoluções a serem conduzidas.

Na linguagem chinesa, o ideograma de crise é a combinação de perigo e oportunidade. Toda família empresária tem de ter isso em mente. Está na hora de reinventar, de fazer coisas diferentes. Ou temos todos os familiares e sócios alinhados aos nossos valores e propósitos ou talvez seja este o momento para a família discutir e decidir sobre questões de propriedade. Em horas difíceis, ajuda que os que permanecem no negócio estejam alinhados e engajados.

O momento é de decisões graves. Os mais preparados sairão na frente.

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