Em uma reunião de Conselho, não basta ter conhecimento, experiência e uma boa opinião. É preciso saber como colocar essa opinião na mesa de maneira que ela seja ouvida, compreendida e considerada.
E esse talvez seja um dos grandes diferenciais de uma boa conselheira: conseguir se posicionar com firmeza sem transformar divergências em confrontos.
Comunicação assertiva não significa falar mais alto, impor uma visão ou ter sempre a última palavra. Pelo contrário. Significa expressar ideias, preocupações e discordâncias com clareza, segurança e respeito, mantendo aberto o espaço para o diálogo.
Em um Conselho, onde diferentes experiências e pontos de vista se encontram, discordar faz parte. Muitas vezes, é justamente da divergência que surgem perguntas melhores e decisões mais consistentes. O conflito nasce das diferenças, das expectativas e das frustrações. O problema, portanto, nem sempre está no conflito em si, mas na forma como lidamos com ele e na qualidade do diálogo que conseguimos construir.
Por isso, uma conselheira que deseja ampliar sua capacidade de influência precisa desenvolver também a capacidade de escutar.
E escutar vai muito além de permanecer em silêncio enquanto outra pessoa fala. Escuta ativa é ouvir com curiosidade genuína, buscando compreender antes de responder ou contra-argumentar. Quando isso acontece, a conversa deixa de ser uma disputa por quem tem razão e passa a ser uma construção.
A própria forma de fazer uma pergunta pode mudar completamente o rumo de uma discussão. Em vez de afirmar “essa estratégia é arriscada demais”, por exemplo, pode ser muito mais produtivo perguntar: “Quais premissas sustentam essa decisão e o que aconteceria se trabalhássemos com um cenário mais conservador?”
A preocupação continua sendo colocada. A firmeza também. Mas, em vez de fechar a conversa, a pergunta abre espaço para análise.
É aí que mora a elegância da comunicação assertiva.
Elegância, nesse contexto, não significa suavizar tudo, evitar assuntos difíceis ou permanecer em silêncio para não gerar desconforto. Uma conselheira pode e deve questionar premissas, pedir informações, apontar riscos e discordar da maioria quando considerar necessário. A diferença está em conseguir questionar uma ideia sem desqualificar quem a apresentou.
Talvez uma das perguntas mais poderosas para levar a uma reunião de Conselho seja: “O que ainda precisamos compreender antes de tomar essa decisão?”
Ela tira a conversa do campo pessoal e direciona a atenção para aquilo que realmente importa: a qualidade da decisão.
É justamente essa competência que Valéria Santoro aprofunda na aula “Dicas de CNV e Comunicação Assertiva para Conselheiras”, da Formação Mulheres em Conselhos. A partir da Comunicação Não Violenta (CNV), a aula aborda empatia, escuta ativa, linguagem que busca conexão, manejo construtivo dos conflitos e construção de consenso, ferramentas importantes para transformar diferenças em conversas mais produtivas.
Porque influenciar positivamente um Conselho não significa vencer uma discussão.
Significa saber falar, perguntar e escutar de uma maneira que ajude o grupo a chegar a uma decisão melhor.





